Já ouvi reclamações de alguns homens,
sobre o gosto das mulheres, principalmente entre estudantes. O sujeito desde a
puberdade, adolescência, juventude, mocidade, seja lá que nome tenha em alguma
época da vida, que sempre se portou bonitinho, cabelos bem penteados, notas ótimas,
mas para as mulheres era nada, nenhuma delas o via, a não ser quando precisavam
fazer trabalho em grupo. Sempre era o primeiro a ser escolhido. Vejam bem, era sempre o primeiro a ser
escolhido, mesmo por que as professoras nunca o colocavam como líder.
Aqueles seus colegas de colégio, mal
encarados, desorganizados, que nunca sabia nada de coisa nenhuma, viviam
rodeados de belas mulheres e das feias também, tinha até briga na escola, entre
elas, para ver quem era a dona deles, mas ninguém os prendia. Eles não se
perturbavam, alguns carregavam boletins de ocorrências por desordem, desacato, não
trabalhavam e, mais, zoavam com ele, por se um pega ninguém.
Esses até tinham um Grupo que se
reuniam num lugar qualquer da cidade, mas só eles, os certinhos para falarem de
coisas como, estudos, projetos, concursos e se perguntavam qual o motivo de
serem rejeitados pelas mulheres, visto que os outros, os garanhões alguns
tinham filhos. As mulheres nem se importavam com isso, dizendo que trabalhariam
e ajudavam a pagar a pensão, que os tiraria da vida errante, se bem que não
ficava só com as da escola, tinha gente bem formada que entrava no fã clube.
Mas como tudo passa, a vida
passou, os “certinhos” se deram bem, os enrolados conseguiram subempregos, mesmo
que alguns deles tenham se regenerado e também haviam obtido sucesso, outros “certinhos”
se perderam no caminho e não conseguiram a bússola para retornarem ao rumo
certo. As meninas ficaram amamentando seus filhos, sem a presença constante de um
pai, que só pode morar com uma delas.
Algumas dessas meninas se
lembraram da existência dos jovens certinhos, tomaram ciência do sucesso deles,
tentaram se infiltrar em seus mundos, mas foram sumariamente rejeitadas, pois
como sempre, eram desiguais. Foram desiguais no passado e continuam desiguais,
hoje, de modo invertido. Alguns namoraram, casaram, tem vida boa ao lado das
mulheres, dos filhos, mulheres “cabeças”, rejeitadas ou não, no rol de mulheres
“espertas”.
O circulo vicioso continua e as
alterações são constantes, ou não são, pois enquanto pessoas saem, outras
entram, continuam as reclamações, a dificuldade do convívio, a rejeição, a
tentativa de aproximação, a recusa, o sucesso, a derrota, o vencedor, o vencido.
Tudo parece simples, ao mesmo tempo em que tudo parece complicado, pois jamais,
enquanto o mundo for mundo, homens e mulheres não serão completamente sábios, nem
completamente idiotas, continuando a reclamar um do outro, mas tentando se atraírem,
apesar de tudo.
Maria de Jesus
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