sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Gerando desamor

Veja como nossas mãos estão se afastando
Antes fechadíssimas uma protegendo a outra
Hoje mal os dedos se tocam
Nestes braços esticados, afastados pela força da gravidade.
Tudo isso por sua crença mal infundada, que criaste
Sem perguntar o que de fato acontece.
Achas que apenas o seu parecer é o que te importa e me isolando
Pune-me com pena capital.
Quando nossas mãos não mais tiverem
Chance dê se tocarem, um golpe de realidade aparecerá
Profundo, justo, fatal, mostrando as agruras se tomar medidas
Sem nexo, sem base, me jogando aos leões
Para ser devorado em público

Maria de Jesus

Novembro/2015

E o tempo acabou.

Quão distante me expulsas para longe de ti
Poderia eu buscar caminhos onde não estou acostumado a pisar
Porem prefiro ficar e ver chegar minha hora
Que virá mais cedo ou mais tarde.
Acusas-me de coisas que não fiz e por isso me renega o teu corpo
Embora eu demonstre ser ele o que quero e não outro.
Continuas a recusar-me. Dentro, triste alma em fase de espera
Ressente o triste baque já sofrido e este, agora, por definitivo.
Vens apunhalar-me com ferro quente a entrar na carne, sem dó ou piedade.
Mas se disseres que é definitivo vou saindo para não mais voltar.
Buscar flores no campo, na imensidão existente, arriscando-me colher espinhos venenosos me condenando há um fim inesperado, sem retorno, sem suplicio, sem remorso daquilo que poderia ser e não foi, por imposição compulsiva unilateral

Sem dó, como cruz fincada na renascença.

Maria de Jesus / Nov 2015

sábado, 18 de abril de 2015

GEL DE AGAROSE


Quase não tenho paciência. Não tente me testar
Pois a resposta pode não ser correta e o resultado
Desastroso.
Tenho um sorriso cínico, que assusta o mais intelectual dos homens
E o mais idiota dos seres.  A paz que trago dura o tempo necessário
De se transformar em guerra e a guerra dura mais tempo do que
Um casamento perfeito, pois casamento perfeito não existe.
Arranco meu coração e te entrego por entre os dedos, sangrando o sangue
Que parou de correr nas veias.
Mas quero o seu para colocar no lugar do meu
Arriscando-me a ser feliz.
 A noite é o meu dia mesmo com a lua tão alta que brilha
Com a revoada dos morcegos. De repente as estrelas se abraçam
 E eu fico no meio, sufocando.  Nesse meu jeito meio endiabrado, meio anjo
Curto a história de cada um. Mas me revolto com a minha triste história
Que morre quando tento renascer.

Maria de Jesus
Abril/2015



LUZ QUE SEMPRE ME ACOMPANHOU.


Não adianta eu tentar ser aquilo que nunca fui
Nem tentar alcançar o ponto mais alto da montanha
Se posso ir até a metade.
Meus sentimentos alcançam pessoas que nunca saberei
Quem são. Saldei o nascer do dia. Aplaudi o anoitecer.
As nuvens escuras da preocupação nunca me alcançaram
Nem a despedida do meu melhor amigo me debilitou
Pois ele foi buscar sucesso em outro local
As pontes quais passei se abriram tal qual o mar vermelho
Para a passagem de Moisés.
Já galopei pelos campos muitas vezes, por pensamento livre
Parei o tempo só para dizer o que eu pensava
Ri e chorei da mesma piada
 E morri no mesmo dia
Que você minha mãe, subiu ao céu
Mas se esqueceram de me enterrar.

Maria de Jesus


Abril/2015

CARAMBOLAS


 Lembro do velho baú de frutas deixado pelo meu avô
À vontade dos netos quando lhe fazíamos visitas
E acho que antes mesmo de pedir-lhe a benção
Ao entrar em sua casa já estávamos diante do móvel
A pegar bananas.
E o belo coração de boi, árvore toda pomposa a se mostrar a nós
Velha mangueira frondosa bem ao lado da casa.
E na frente da casa de barro, de pau á pique
Que nossos tios a transformaram, subíamos
No pé de poncãs, que ao lado, no alto, abaixo, se ofereciam.
As laranjas, baianas, peras, manga coquinho
Sem falar nos coquinhos, a nos receber na entrada do sítio,
Que grudavam em nossas bocas.
Por fim, no lado do poço, azedas, mas de gosto mais gostoso
As carambolas
Que hoje me lembra a doçura de minha mãe e das minhas tias

Como estarão todas vocês
Minha mãe, minhas tias e as carambolas?


Maria de Jesus

Abril/2015

domingo, 15 de março de 2015

Bárbara



Sei que meu dia chegará, não sei se o auge ou será fim
O primeiro que vier será bem vindo
Se o auge é porque ainda tive tempo
De produzir, se o fim, foi por que
Já produzi o suficiente.
A vida me foi bárbara desde o começo
Formou sorrisos e lágrimas, que às vezes
Trocaram de posição. Mas foi Bárbara
Quem me levantou a moral dividindo comigo
O gosto pela literatura, pelos contos
Poemas e narrativas
Outros de meu sangue sequer prestaram atenção
Nem sabem que existem. Sequer se aproximam
Pois tem certeza que é contagiosa
O antagonismo do dos meus versos confundem
A mente dos incautos e atinge o coração
Então passo, livre, pela vida de cada um
Só para deixar a marca de que estive ali
Mas Bárbara passou por mim e
Deixou funda a marca de seu tempo.
E quando eu for para o auge ou para o fim
Se lembrará que fez parte da minha arte.

·         Maria de Jesus

·         Março/2015

Labirinto


Onde estamos hoje não temos rumo certo
Fechamo-nos num labirinto onde os corredores são estreitos e murados

E quantos mais andamos somos abraçados
Por passagens inóspitas
Sabemos que há uma saída
Porem esquecemos-nos de deixar os sinais
Para um retorno tranquilo
Mas enquanto avançamos procurando um rumo
Vamos limpando e plainando o solo

Para não nos machucarmos
Eu não queria estar aqui, mas fui colocado
Quando percebi só havia eu e você
Ouço vozes do lado de fora em incentivo
Quem sabe se elas não serão o meu norte
E eu consiga sair.
Deste labirinto.



Maria de Jesus
Mar/2015