sábado, 18 de abril de 2015

GEL DE AGAROSE


Quase não tenho paciência. Não tente me testar
Pois a resposta pode não ser correta e o resultado
Desastroso.
Tenho um sorriso cínico, que assusta o mais intelectual dos homens
E o mais idiota dos seres.  A paz que trago dura o tempo necessário
De se transformar em guerra e a guerra dura mais tempo do que
Um casamento perfeito, pois casamento perfeito não existe.
Arranco meu coração e te entrego por entre os dedos, sangrando o sangue
Que parou de correr nas veias.
Mas quero o seu para colocar no lugar do meu
Arriscando-me a ser feliz.
 A noite é o meu dia mesmo com a lua tão alta que brilha
Com a revoada dos morcegos. De repente as estrelas se abraçam
 E eu fico no meio, sufocando.  Nesse meu jeito meio endiabrado, meio anjo
Curto a história de cada um. Mas me revolto com a minha triste história
Que morre quando tento renascer.

Maria de Jesus
Abril/2015



LUZ QUE SEMPRE ME ACOMPANHOU.


Não adianta eu tentar ser aquilo que nunca fui
Nem tentar alcançar o ponto mais alto da montanha
Se posso ir até a metade.
Meus sentimentos alcançam pessoas que nunca saberei
Quem são. Saldei o nascer do dia. Aplaudi o anoitecer.
As nuvens escuras da preocupação nunca me alcançaram
Nem a despedida do meu melhor amigo me debilitou
Pois ele foi buscar sucesso em outro local
As pontes quais passei se abriram tal qual o mar vermelho
Para a passagem de Moisés.
Já galopei pelos campos muitas vezes, por pensamento livre
Parei o tempo só para dizer o que eu pensava
Ri e chorei da mesma piada
 E morri no mesmo dia
Que você minha mãe, subiu ao céu
Mas se esqueceram de me enterrar.

Maria de Jesus


Abril/2015

CARAMBOLAS


 Lembro do velho baú de frutas deixado pelo meu avô
À vontade dos netos quando lhe fazíamos visitas
E acho que antes mesmo de pedir-lhe a benção
Ao entrar em sua casa já estávamos diante do móvel
A pegar bananas.
E o belo coração de boi, árvore toda pomposa a se mostrar a nós
Velha mangueira frondosa bem ao lado da casa.
E na frente da casa de barro, de pau á pique
Que nossos tios a transformaram, subíamos
No pé de poncãs, que ao lado, no alto, abaixo, se ofereciam.
As laranjas, baianas, peras, manga coquinho
Sem falar nos coquinhos, a nos receber na entrada do sítio,
Que grudavam em nossas bocas.
Por fim, no lado do poço, azedas, mas de gosto mais gostoso
As carambolas
Que hoje me lembra a doçura de minha mãe e das minhas tias

Como estarão todas vocês
Minha mãe, minhas tias e as carambolas?


Maria de Jesus

Abril/2015