sexta-feira, 27 de julho de 2012

Temporal





No começo era um filete que corria... Sob o ribombar
 De um trombone desritmado... Depois, a água numa força descomunal,
 Nos empurra, como empurra os carros, as casas... Fazendo
 O desespero se aninhar nos corações despreparados para a tormenta.
 Pessoas de todas as idades, raças, credos... Escalavam, pois não havia tempo de subir,
 Para alcançar as partes mais altas... E ver embaixo tudo destruído.
 Vidas levadas... Em todos os sentidos... pela morte, pelo desespero
 Ao ver que tudo o que um dia foi conquistado pelo suor do trabalho...
 Esvaiu-se em minutos. A bonança que vem a seguir... Encontra
 Corações destruídos... Mas com esperança de reerguer o sentido
 Da própria vida... Essa foi deixada, talvez para compensar,
 Os estragos das águas que vieram por culpa de alguém...
 E haverá sempre alguém para pagar... Talvez até pelo que não deva.


                                                              Jose Luiz Paiva

Nenhum comentário:

Postar um comentário